
Embora a redemocratização já apontasse “no fim do túnel”, a violação dos direitos humanos, a censura e a repressão política ainda era marcante no final da década de 70, no Brasil.
É neste contexto que José Tadeu Bento França* foi eleito vereador de Maringá, representando os moradores do Jardim Alvorada. “Nunca pensei em participar da vida pública quando sai de Umuarama para assumir aulas na Universidade Estadual de Maringá. Porém, as dificuldades que vivíamos no bairro nos levaram a buscar a visibilidade das autoridades e uma voz na Câmara Municipal”, explicou o professor, eleito para a sétima legislatura da cidade.
Ao lado de outros sete emedebistas, França fazia oposição à administração de João Paulino Vieira Filho, entre 1977 e 1982. Apesar disso, ele garante que, independentemente da autoria dos projetos, o grupo sempre apoiava tudo o que beneficiava a população.
A sétima legislatura era composta por 21 vereadores, seis deles haviam sido reeleitos: Antenor Sanches, Carlos Alberto de Paula, Eli Pereira Diniz, Kazumi Taguchi, Midufo Vada, Tercio Hilário de Oliveira.
Por motivos de ajustes no calendário eleitoral, o mandato dos vereadores e do prefeito, eleitos em 1976, foi passou de quatro para seis anos. Desta maneira, houve três gestões, de dois anos cada, na presidência da Câmara Municipal, na seguinte ordem: Antônio Paulo Pucca, Noboru Yamamoto e Maurílio Correia Pinho.
França lembra que, em determinada ocasião, quando os professores estaduais anunciavam uma greve, ele recebeu telefonemas anônimos que o ameaçavam de morte, caso apoiasse o movimento. Naquela época, qualquer crítica política, independentemente da forma manifestada, era duramente repreendida e França confessa que tinha medo de ser preso, mas nunca aconteceu. Porém, se recorda de pessoas na região que desapareceram, durante o regime militar.
“Quando era universitário participei de atos contra a ditadura. Porém, nossas estratégias eram ingênuas, típicas de estudantes que, além de faixas e cartazes, sobrepunham os sutiãs sobre as roupas para chamarmos a atenção”, disse o ex-vereador que, na sequência, foi eleito deputado federal e participou da elaboração da Constituição, de 1988.
Paralelamente à preocupação com o regime político, França dedicava seu mandato na busca por melhores condições de vida no Jardim Alvorada. Segundo ele, o bairro era distante do centro da cidade, formado por ex-agricultores que deixaram o campo após a conhecida “Geada Negra”, de 1975 e, como agravante, carecia de infraestrutura básica como distribuição de água tratada e fornecimento de energia elétrica.
Embora pertencesse à oposição, França faz questão de elogiar o esforço de João Paulino pelo desenvolvimento de Maringá. Ele destaca o abastecimento de água da cidade, originado no rio Pirapó e entregue às famílias a preço módico. “O problema surgiu quando a administração resolveu conceder o serviço de tratamento e distribuição de água para a Sanepar”, completou.
* José Tadeu Bento França, 79 anos, é professor, escritor, advogado e filósofo. Atualmente, se dedica às obras assistenciais.