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LEGISLATIVO EM MIÚDOS: Maringá cresceu pela determinação e muita saliva
Assessoria de Imprensa - CMM 11/03/2026

Quem imaginaria que a prefeitura de Maringá foi capaz de jogar creolina nos poços artesianos para convencer a população a pagar pelo tratamento da água entre as décadas de 1960 e 1970? 


Segundo o jornalista Manoel Messias Mendes de Almeida*, 75 anos, foi isto que aconteceu. Naquela época, a água vinha de poços artesianos com baixo custo e o esgoto era depositado em fossas sépticas. Quando a administração municipal assumiu a construção das estações de tratamento de água houve muito descontentamento entre os moradores que não aceitavam pagar o valor cobrado pela Codemar.


Essa foi uma das muitas polêmicas que Mendes acompanhou como ouvinte nas sessões ordinárias da Câmara Municipal. “Antes mesmo de trabalhar como repórter, eu assistia as sessões porque eu gostava da oratória de muitos vereadores como, por exemplo, Leonardo Grabois e Mário Clapier Urbinati. Eram pessoas cultas e bem relacionadas, falavam sobre qualquer assunto e, quando necessário, eram combativos em seus discursos”, relembra o jornalista.


Além de repórter do jornal Folha de Londrina, Mendes também assumiu a assessoria de comunicação da Câmara, por seis anos, na década de 70. Naquela época, as sessões ocorriam somente às terças-feiras, à noite. Na manhã seguinte, ele redigia o texto sobre os projetos debatidos, fazia cópias no mimeógrafo e o motorista da Casa o distribuía pelas redações dos veículos de comunicação.


O Brasil vivia em plena ditadura militar e a Câmara de Maringá contava com 21 vereadores, divididos entre Arena (Aliança Renovadora Nacional – partido de sustentação do regime militar) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Este último abrigava aqueles que faziam oposição à ditadura, entre eles o filiado mais famoso, em Maringá, era Francisco Timbó de Souza, mais conhecido por Timbó, eleito vereador, em 1974.


Conforme Mendes, Timbó votava contra todos os projetos do Executivo, não importava o assunto. Sua crítica insistente, muitas vezes, gerava episódios hilários e, certa vez, foi tema de reportagem nacional. “O prefeito Silvio Magalhães Barros (1973-1977) queria construir um banheiro na casa onde morava com o dinheiro público. Ele argumentou que não poderia abrir a intimidade de sua residência aos convidados dos eventos que realizava ali. Assim que soube da intenção de Barros, Timbó espalhou o fato pela cidade e, logicamente, usou a tribuna da Câmara para isso”, comentou o jornalista ao citar que todas as sessões eram transmitidas ao vivo pela Rádio Cultura.


Outra situação emblemática durante a gestão de Barros foi o dia que ele proibiu que atribuíssem a alcunha de “Cidade Canção” à Maringá enquanto o esgoto jorrasse pelas ruas da cidade. Essa declaração ocorreu em evento público e foi amplamente divulgada pela imprensa. Ele e João Paulino Vieira Filho (1977-1980) estão entre os prefeitos mais marcantes de Maringá, certamente pelas obras de infraestrutura que realizaram na cidade (construção de galerias pluviais, asfaltamento e a retirada dos trilhos de ferro do centro).


Mendes lembra da época que os vereadores não recebiam subsídio e o Executivo, mesmo com metade das cadeiras no plenário, "sofria” para obter aprovação dos seus projetos na Casa. “Havia muita discussão, os discursos eram inflamados e nenhum deles cedia facilmente, situação bem diferente do que acontece, hoje em dia”, finaliza o repórter que, embora aposentado, ainda colabora com a redação do Jornal do Povo.


* Manoel Messias Mendes Almeida, jornalista atuante há mais de 50 anos, em Maringá.