A Câmara de Vereadores de Maringá recebeu na sessão ordinária desta terça-feira (02), a consultora do Conselho Regional da FIEP, Fabiana Azevedo, que apresentou os resultados do Fórum da Indústria 2026.
A autora do convite para uso da tribuna, a presidente do Legislativo, vereadora Majô, ressaltou a importância do Fórum que reúne o setor público e privado para debater o presente e planejar o futuro da indústria no estado do Paraná. “A Fabiana atua diretamente na conexão entre a indústria, inovação, educação, empregabilidade e o desenvolvimento regional, contribuindo para o fortalecimento das nossas lideranças e da competitividade da nossa região”.
A parlamentar também lembrou dos desafios da indústria da região. “Sabemos a dificuldade da exportação e os desafios também da importação. Neste momento buscamos fortalecer o setor industrial da região de Maringá e também lembrar das micro e pequenas empresas”.
A consultora Fabiana Azevedo destacou que a Fiep tem fortalecido o processo de interiorização de suas ações, levando iniciativas antes concentradas na capital para as diversas regiões do Paraná. Durante o Fórum Regional da Indústria, realizado em março, foram apresentados dados relevantes sobre o cenário industrial do Noroeste do Estado.
A pesquisa apontou que 75% das empresas da região são micro e pequenas, 22% são médias e apenas 3% são grandes empresas. O setor industrial representa 12,5% da economia regional e demonstra preocupação com os rumos da economia nos próximos meses.
Em relação às expectativas econômicas, 24% dos entrevistados acreditam em crescimento, 30% esperam estabilidade e 46% projetam retração. Entre os fatores que mais influenciam essa percepção estão a política nacional, apontada por 69% dos empresários da região, seguida pela economia nacional, com 21%.
Quanto ao desempenho da indústria, 54% dos empresários demonstram otimismo para os próximos meses, enquanto 34% mantêm uma visão neutra e 12% apresentam uma perspectiva mais pessimista. Entre os fatores que impactam o setor estão as vendas, a busca por novos mercados, a produtividade, a qualificação da mão de obra e a infraestrutura logística.
Fabiana lembrou que a falta de profissionais qualificados e as dificuldades logísticas foram destacadas como desafios importantes. “O setor enfrenta obstáculos para escoar sua produção por diferentes meios de transporte, o que afeta a competitividade das empresas”.
Apesar das dificuldades, 84% das indústrias da região pretendem realizar investimentos em 2026. Desse total, 58% afirmam que investirão valores iguais ou superiores aos do ano anterior. Apenas 16% declararam não ter intenção de investir.
A principal fonte de recursos para esses investimentos continua sendo o capital próprio, citado por 52% dos empresários. Os bancos de fomento e desenvolvimento aparecem com 25%, enquanto as cooperativas de crédito representam 19%, índice superior à média estadual e que reflete a forte presença do cooperativismo na região.
Os investimentos previstos concentram-se principalmente na melhoria de processos, produtos e serviços, apontada por 54% dos entrevistados. Também se destacam a redução de custos operacionais (46%), a prospecção de mercados (34%) e a ampliação da capacidade produtiva (34%).
Outras prioridades incluem novos modelos de negócios e comercialização (33%), valorização do capital humano (30%), melhoria da qualidade (28%), pesquisa, desenvolvimento e inovação (20%) e automação industrial, dentro do conceito da Indústria 4.0 (20%).
A pesquisa também abordou temas ligados ao ambiente de negócios, como investimentos públicos, geopolítica internacional, agenda ambiental, segurança hídrica e energética, desburocratização e governo digital. Esses fatores foram considerados relevantes para a competitividade industrial.
Fabiana, entretanto, apontou um dado que chamou a atenção: o nível de conhecimento sobre a reforma tributária. “Apenas 23% dos empresários afirmaram conhecer os impactos das mudanças para seus negócios, enquanto 77% declararam não possuir informações suficientes sobre o tema”.
O desconhecimento é ainda maior entre as micro e pequenas empresas, que representam a maior parte do setor produtivo regional. O resultado indica a necessidade de ampliar as ações de orientação e capacitação sobre as mudanças tributárias.
Sobre os impactos esperados da reforma, 32% acreditam que ela será positiva para seus negócios, 37% avaliam que os efeitos serão benéficos para a economia nacional e 58% consideram que haverá redução da complexidade tributária.
No recorte específico da região Noroeste, a política nacional aparece como o principal fator de preocupação para quase 70% dos empresários. Ao mesmo tempo, o levantamento mostra um cenário de investimentos elevados e uma percepção positiva em relação ao desempenho futuro da indústria.
A consultora informou ainda que a FIEP realizará oficinas em diversas regiões do Paraná para construir uma proposta de política industrial voltada ao fortalecimento da competitividade, à redução de vulnerabilidades e à criação de condições para um ciclo sustentável de desenvolvimento da indústria paranaense.
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